Cultura
Circuito junino no interior paulista lota praças e atrai turismo de fim de semana
Arraiás em Atibaia, Amparo e Socorro reúnem quadrilhas, comidas típicas e artesanato regional. Comerciantes relatam movimento acima da média de junho.
Atualizado em 12 de junho de 2026, às 11h15
O circuito de festas juninas do interior paulista entra na segunda semana de junho com praças lotadas em Atibaia, Amparo e Socorro. O trio de municípios — todos na região do Circuito das Águas — montou programação coordenada para atrair visitantes de Campinas, São Paulo e cidades do Vale do Paraíba, com transporte fretado e pacotes de hospedagem divulgados pelas associações comerciais locais.
Em Atibaia, o arraiá da Praça da Matriz recebeu mais de 8 mil pessoas no último sábado, segundo a guarda municipal. O evento reúne quadrilhas escolares, concurso de quadrilha junina adulta e barracas de doces típicos montadas por produtores da zona rural. A prefeitura ampliou a área de estacionamento e instalou banheiros químicos extras após reclamações do ano passado.
Tradição que movimenta o comércio
Para donos de lojas no entorno das praças, junho é o mês que compensa a queda de vendas do primeiro trimestre. Cláudia Mendes, que vende artesanato em madeira há 15 anos em Amparo, disse que faturou em um fim de semana o equivalente a três semanas de abril. "O turista compra lembrança, mas o morador também volta à praça. É o encontro que faz a diferença", conta.
Em Socorro, conhecida pelas lojas de artigos religiosos e de decoração, os comerciantes montaram feira paralela nas ruas laterais à praça principal. A Câmara de Dirigentes Lojistas estima aumento de 40% no fluxo de pedestres em comparação com fins de semana comuns de junho.
Programação e atrações
Cada cidade escolheu um eixo para se diferenciar. Atibaia aposta em shows de forró pé de serra com bandas regionais. Amparo trouxe oficina de quadrilha gratuita para crianças nas tardes de sábado. Socorro montou roda de viola com cantadores convidados de Minas Gerais — herança da proximidade cultural com o Sul de Minas.
A programação completa está disponível nos sites das prefeituras e em cartazes nas rodovias SP-063 e SP-146, principais vias de acesso à região. Os eventos seguem até o dia 29 de junho, com encerramento conjunto em Socorro no último fim de semana do mês.
Infraestrutura e acesso
Visitantes de São Paulo costumam sair pela Rodovia dos Bandeirantes e seguir até Amparo em pouco mais de duas horas, dependendo do trânsito. Há pousadas com ocupação acima de 80% nos fins de semana de arraiá, segundo levantamento informal feito pela redação com dez estabelecimentos da região.
A Polícia Rodoviária reforçou policiamento nas saídas dos eventos após incidentes com direção sob efeito de álcool em edições anteriores. Blitz educativas foram montadas nas entradas das três cidades.
O junino além do palco
Produtores culturais da região destacam que o circuito também funciona como vitrine para artistas locais. Em Atibaia, um coletivo de ilustradores vendeu zines com temática nordestina — referência às origens de parte da população que migrou para o interior paulista nas décadas de 1960 e 1970.
"Junho não é só festa de igreja nem só show de sertanejo. Tem gente fazendo cultura de rua, literatura e artesanato contemporâneo", afirmou o curador Pedro Nascimento, que organiza a feira de autores independentes em Amparo desde 2022.
O Frevo publicará ao longo do mês um guia atualizado com horários, estacionamento e dicas de acesso para quem planeja visitar o circuito nos próximos fins de semana.
Segurança e organização
As prefeituras dos três municípios combinaram protocolo de segurança com a Polícia Militar e guardas municipais. Pontos de atendimento médico temporário foram montados nas praças principais, e equipes de limpeza reforçadas atuam na madrugada seguinte a cada evento. Em Amparo, moradores próximos à praça receberam carta com telefone de contato para reclamações sobre som — iniciativa que será replicada nas próximas edições em Atibaia e Socorro.
Para famílias com crianças pequenas, a recomendação das organizadoras é chegar antes das 20h, quando os arraiás ainda estão menos lotados e as barracas de comida têm fila menor. A maioria dos eventos não cobra entrada; a receita vem de parcerias com comércio local e verbas culturais municipais.